25/01/2011

Ilustração: Florescê

Mais esboços antedeluvianos ganhando arte final em 2011.
Descobri a música caipira brasileira em 2000 e, de lá pra cá, adquiri alguns CDs de violeiros da velha guarda e outros mais contemporâneos. Como em qualquer gênero musical, nem sempre as capas fazem jus ao som e eu já me peguei algumas vezes pensando que esta ou aquela poderiam ter tido um tratamento diferente.
Florescê é um trabalho bacana do violeiro/luthier/professor Braz da Viola, cuja capa está aqui ao lado. Assim que a vi, veio-me uma ideia para uma capa diferente. Fiz o esboço e guardei-o para finalizá-lo em um momento menos corrido, o que só veio a ocorrer agora, quase dez anos depois:



Refiz meu desenho original, escaneei e passei as cores no Photoshop usando uma tablet Wacon. Tenho evitado ao máximo aquela coisa limpinha de traço vetorizado, pois acho a imprecisão mais atraente. Assim, criei uma série de pincéis no Photoshop a partir de pinceladas feitas por mim mesmo com acrílica em papel, todos eles com muitas sobras e rebarbas. Até mesmo o nome do violeiro foi feito à mão: Encontrei a fonte mais adequada, digitei-a sobre a ilustração, criei uma camada acima dela e pintei sobre cada letra com meus pincéis imprecisos.
O design minimalista foi feito com base no que poderia ser uma serigrafia de 6 cores.
E, falando em design, fiz também uma outra versão, alterando a composição:



Tenho visto muitas vezes na Internet ilustradores e designers inventando pôsteres para filmes antigos ou reinventando capas de discos, como a exposição 33.3, montada pelo coletivo Cargo, que reuniu vários artistas a fim de reinterpretar capas de discos de diversos gêneros e épocas. Às vezes os resultados deste tipo de iniciativa ficam bons, outras não, mas não deixa de ser um exercício criativo interessante.

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