28/09/2011

Cartaz sempre em cartaz

Ok, o título do post não é lá essas coisas, mas o assunto é legal.Neste mês de setembro que já está acabando, a Revista da Cultura, publicação gratuita da Livraria Cultura, apresenta uma matéria muito interessante sobre cartaz de cinema assinada por Gerson Trajano. O que me chamou a atenção foi a opinião do designer Fernando Pimenta, que diz preferir o uso da fotografia em cartazes de cinema, deixando a ilustração para cartazes de filmes infantis e animações:

A ilustração só deve ser usada como uma opção gráfica indispensável. Cinema é fotografia, se o cartaz não for, confunde o público.

Em tempos de alta rotatividade de filmes em que o que chama o público são os artistas que estrelam as películas, é provável que a opinião de Pimenta seja a mais sensata em termos mercadológicos, mas ao mercado, como se sabe, interessa a massificação rasa, a beleza-padrão, e não a liberdade de se mostrar a beleza em suas infinitas formas. Além disso, existem tantos bons exemplos em que o uso da ilustração em conjunto com um design ousado produziram peças sensacionais que eu prefero deixar pra lá esse monstro sem rosto chamado mercado.

A própria matéria da revista ilustra suas páginas com um cartaz feito pelo mestre absoluto dessa arte, Benício, que, sim, retrata a atriz do filme, mas o faz com uma ilustração impecável.
Benício, aliás, teve recentemente lançado pela Reference Press um livro com uma síntese de sua extensa carreira, boa parte dedicada a cartazes de filmes. Sex & Crime cobre a fase em que fez as capas dos livros policiais da Editora Monterrey e já tem um vol.2 am andamento.
Exemplos mais radicais do uso da ilustração em cartazes de cinema vêm de países em que a massificação é (ou era) menos acentuada, como a Polônia e Cuba:

Ziraldo, outro grande ilustrador brasileiro que se dedicou bastante à arte do cartaz, provavelmente bebeu muito nesta fonte. O livro Ziraldo em Cartaz, de Ricardo Leite, tem muitíssimos exemplos do refinamento e da criatividade do velho maluquinho, que soube assimilar suas influências e acrescentar o humor e a malandragem que só o brasileiro tem. Esse livro é muito bom e vem com um cartaz do Ziraldo pra gente enquadrar. Eu o tenho e não canso de visitar suas páginas em busca de inspiração ou só pra babar, mesmo.
A Revista da Cultura pode ser baixada/visualizada em PDF gratuitamente através do site da publicação. Sempre bem recheada de imagens bacanas, as capas trazem sempre ótimos ilustradores brasileiros. Neste mês, a capa de Mário Bag é um deleite visual. Quem se interessou pelo assunto pode também fazer uma busca no Google por cartazes poloneses (meus preferidos), tchecos e cubanos. Muitas boas ideias.

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