26/12/2011

Keep Drawing

keep drawing from studio shelter on Vimeo.


Keep Drawing, do studio shelter, é uma das coisas mais bonitas que um ilustrador poderia ver neste final de ano.

11/11/2011

Reedições de livros da Pé da Letra



Os quatro primeiros livros que fiz para a editora Pé da Letra, todos escritos pelo James Misse, ganharam novas edições recentemente.
Quando o ilustrador/designer não tem a oportunidade (ou a obrigação contratual) de acompanhar as provas da gráfica, a qualidade de impressão do livro é de responsabilidade da própria gráfica, e não há nada pior para um ilustrador do que ver o livro em que trabalhou duro mal impresso. As primeiras edições de Medo no Escuro, Dia de Sol e Música dos Bichos sairam da gráfica com cores estouradas e cortes que tiraram detalhes importantes das imagens, como parte dos olhos do monstro que fica embaixo da cama de Medo no Escuro. Para estas novas tiragens, como tínhamos que adequar o texto às novas regras ortográficas, eu aproveitei para fazer pequenos acertos que fizeram grandes diferenças, como aumentar enormemente a área de sangria de todos os livros e modificar a cor do céu na capa de Dia de Sol, que era amarela e agora é azul.
Talvez apenas sendo excessivamente exigente e o que eu chamo de livro mal impresso passe batido por olhos leigos. Afinal, os livros estão ganhando novas tiragens porque venderam muito bem. De qualquer modo, felizmente desta vez, os livros foram muito bem trabalhados e o resultado final dá gosto de ser visto.

28/09/2011

Cartaz sempre em cartaz

Ok, o título do post não é lá essas coisas, mas o assunto é legal.Neste mês de setembro que já está acabando, a Revista da Cultura, publicação gratuita da Livraria Cultura, apresenta uma matéria muito interessante sobre cartaz de cinema assinada por Gerson Trajano. O que me chamou a atenção foi a opinião do designer Fernando Pimenta, que diz preferir o uso da fotografia em cartazes de cinema, deixando a ilustração para cartazes de filmes infantis e animações:

A ilustração só deve ser usada como uma opção gráfica indispensável. Cinema é fotografia, se o cartaz não for, confunde o público.

Em tempos de alta rotatividade de filmes em que o que chama o público são os artistas que estrelam as películas, é provável que a opinião de Pimenta seja a mais sensata em termos mercadológicos, mas ao mercado, como se sabe, interessa a massificação rasa, a beleza-padrão, e não a liberdade de se mostrar a beleza em suas infinitas formas. Além disso, existem tantos bons exemplos em que o uso da ilustração em conjunto com um design ousado produziram peças sensacionais que eu prefero deixar pra lá esse monstro sem rosto chamado mercado.

A própria matéria da revista ilustra suas páginas com um cartaz feito pelo mestre absoluto dessa arte, Benício, que, sim, retrata a atriz do filme, mas o faz com uma ilustração impecável.
Benício, aliás, teve recentemente lançado pela Reference Press um livro com uma síntese de sua extensa carreira, boa parte dedicada a cartazes de filmes. Sex & Crime cobre a fase em que fez as capas dos livros policiais da Editora Monterrey e já tem um vol.2 am andamento.
Exemplos mais radicais do uso da ilustração em cartazes de cinema vêm de países em que a massificação é (ou era) menos acentuada, como a Polônia e Cuba:

Ziraldo, outro grande ilustrador brasileiro que se dedicou bastante à arte do cartaz, provavelmente bebeu muito nesta fonte. O livro Ziraldo em Cartaz, de Ricardo Leite, tem muitíssimos exemplos do refinamento e da criatividade do velho maluquinho, que soube assimilar suas influências e acrescentar o humor e a malandragem que só o brasileiro tem. Esse livro é muito bom e vem com um cartaz do Ziraldo pra gente enquadrar. Eu o tenho e não canso de visitar suas páginas em busca de inspiração ou só pra babar, mesmo.
A Revista da Cultura pode ser baixada/visualizada em PDF gratuitamente através do site da publicação. Sempre bem recheada de imagens bacanas, as capas trazem sempre ótimos ilustradores brasileiros. Neste mês, a capa de Mário Bag é um deleite visual. Quem se interessou pelo assunto pode também fazer uma busca no Google por cartazes poloneses (meus preferidos), tchecos e cubanos. Muitas boas ideias.

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24/03/2011

Ilustração: Flyer



"Então, vai rolar um show no sábado, mas a banda que ia tocar não vai mais. Vocês podem cobrir esse buraco?"

"Hmmm. Em três dias a gente não vai conseguir fazer uma divulgação decente... Mas ok, vambora."

"Legal. Vocês são ótimos! Ah, tem mais uma coisa: Vocês sabem de alguém que possa fazer um flyer pra divulgar a balada? E na faixa?"



As alegrias da música independente...

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15/02/2011

Sketchbook

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08/02/2011

Ilustração: Mais caipirices modernosas

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01/02/2011

Ilustração: Festeiro

Seguindo com a ideia de reimaginar capas para discos que eu gosto, a próxima vítima é o segundo CD da banda Matuto Moderno, Festeiro. Lançado em 2002, o álbum é muito bom, cheio de canções que misturam a tradição caipira e a música contemporânea. A capa (ao lado), porém, é pouco inspirada, apenas com a foto da banda e uma montagem em que se usou (mal) uma penca de filtros do Photoshop.
Esta ilustração é mais uma da série "faço-o-esboço-agora-e-finalizo-depois-mas-o depois-demora-muitos-anos-pra-chegar". Bom, pelo menos, fiz e guardei o esboço, pois o conceito dela é bem bacana:
Pra fazer o pano de fundo, pensei em misturar três elementos característicos da cultura caipira: Casinhas do interior, bandeirinhas de São João e colchas de retalhos.

Reuni estas referências na minha própria colcha de retalhos ilustrada, usando como sempre o mínimo possível de cores (aqui, quatro). Sobre o esboço, criei uma camada para cada cor e pintei usando os pincéis que criei no PShop:



Em seguida, inseri o violeiro, que está praticamente igual ao esboço que fiz inicialmente, anos atrás. A ilustração em si, está pronta. Se fosse uma serigrafia, teria cinco cores ao todo:



Pra finalizar, adaptei a ilustração para ser a capa do CD, inserindo o nome da banda e do disco:

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25/01/2011

Ilustração: Florescê

Mais esboços antedeluvianos ganhando arte final em 2011.
Descobri a música caipira brasileira em 2000 e, de lá pra cá, adquiri alguns CDs de violeiros da velha guarda e outros mais contemporâneos. Como em qualquer gênero musical, nem sempre as capas fazem jus ao som e eu já me peguei algumas vezes pensando que esta ou aquela poderiam ter tido um tratamento diferente.
Florescê é um trabalho bacana do violeiro/luthier/professor Braz da Viola, cuja capa está aqui ao lado. Assim que a vi, veio-me uma ideia para uma capa diferente. Fiz o esboço e guardei-o para finalizá-lo em um momento menos corrido, o que só veio a ocorrer agora, quase dez anos depois:



Refiz meu desenho original, escaneei e passei as cores no Photoshop usando uma tablet Wacon. Tenho evitado ao máximo aquela coisa limpinha de traço vetorizado, pois acho a imprecisão mais atraente. Assim, criei uma série de pincéis no Photoshop a partir de pinceladas feitas por mim mesmo com acrílica em papel, todos eles com muitas sobras e rebarbas. Até mesmo o nome do violeiro foi feito à mão: Encontrei a fonte mais adequada, digitei-a sobre a ilustração, criei uma camada acima dela e pintei sobre cada letra com meus pincéis imprecisos.
O design minimalista foi feito com base no que poderia ser uma serigrafia de 6 cores.
E, falando em design, fiz também uma outra versão, alterando a composição:



Tenho visto muitas vezes na Internet ilustradores e designers inventando pôsteres para filmes antigos ou reinventando capas de discos, como a exposição 33.3, montada pelo coletivo Cargo, que reuniu vários artistas a fim de reinterpretar capas de discos de diversos gêneros e épocas. Às vezes os resultados deste tipo de iniciativa ficam bons, outras não, mas não deixa de ser um exercício criativo interessante.

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18/01/2011

Ilustração: Hotel dos Perdedores




Mais esboços antigos virando ilustrações novas!
Este aqui veio de outra fase de perrengues constantes que rendeu uma série (pequena) de telas com o nome de Hotel dos Perdedores. O desenho original está logo abaixo e, ao lado dele, uma das telas da tal série. Ainda tenho uma certa dificuldade de olhar para elas, pois têm um clima bem pesado (não é o tipo de coisa que a gente pendura na parede da sala), mas representam muitíssimo bem o período perrenguista.
A versão 2011, feita com mais distância e isenção, ficou mais pop. Prefiro assim. É sempre melhor tratar de temas pesados com mais leveza e humor. Daria uma bela (?) serigrafia em 3 cores.

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Arte-Final com Mario Cau


Mario Cau, além de ser ótimo artefinalista, é um cara generoso e decidiu dividir sua experiência e mostrar o caminho das pedras em uma série de postagens sobre o assunto em seu blog.

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04/01/2011

Ilustração: a primeira do ano



Sabe aqueles esboços que a gente faz pra finalizar depois e o depois nunca chega? Pois é, eu tenho um bom número de ideias anotadas ou esboçadas que esperam ver a luz do dia há muito tempo. Pra tirar a impressão de que todo o meu baú nunca vai sair do esboço, é bom pegar uma delas de vez em quando e terminá-la. O esboço dssa aqui já tem uns bons quinze anos, chama-se Casa do artista em dia de chuva e foi feito num período em que todos os meus dias eram chuvosos (chuif). Refiz o desenho à lápis, escaneei e pintei diretamente no Photoshop.

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31/12/2010

A última do ano


Aquele esboço do casal dançando virou isso aqui. Novamente, fiz tudo no Ilustrator pra depois usar os pincéis do Photoshop e deixar tudo mais "orgânico" (desculpem a falta de palavra melhor). Esta é a última do ano.
Um ótimo 2011 para todos.

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14/12/2010

Quadrinhos: Taxi, de Gustavo Duarte


Gustavo Duarte é chargista do diário Lance!. Eu, que não gosto de futebol, adoro os desenhos do cara e as soluções gráficas que ele dá às notícias esportivas. Além disso, Gustavo é um ótimo quadrinista. Sua primeira revista, , feita inteiramente sem falas, já trazia a elegância do traço e o humor surreal que aparecem também nesta nova publicação. A revista é muito bonita e não é por acaso que o formato e a capa, quadrada, imitam um LP: Taxi conta a história de um músico de jazz que cruza a cidade em um taxi a fim de pegar algo muito importante antes de se apresentar num clube noturno. já esgotou e, se eu fosse você, iria logo ao blog do Gustavo pra encomendar a sua Taxi antes que ela siga o mesmo caminho.

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08/12/2010

Ilustração


Parte de uma ilustração que estou fazendo.

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30/11/2010

Quadrinhos: His face all red


His face all red é o nome desta HQ de terror (?) feita por Emily Carroll. Desenhos, cores, roteiro, tudo no lugar e mais um pouco. A forma como ela retratou o momento em que a morte ocorre beira o genial. Leia logo.

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23/11/2010

Sketchbook



... Outra hora eu coloco aqui a ilustração finalizada.

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16/11/2010

Passo-a-passo: Coisas pra fazer antes de crescer

Este passo-a-passo é de uma das ilustrações do livro Coisas pra fazer antes de crescer. Neste livro não fiz como no anterior, em que todas as ilustrações foram antes vetorizadas no Adobe Illustrator. Desta vez, pintei diretamente sobre os esboços utilizando o Corel Painter X. O processo fica mais rápido e preserva a imprecisão das pinceladas como se eu estivesse utilizando tinta de verdade.

1. Primeiro eu normalmente faço dois ou três rabiscos bem pequenos (thumbnails) só pra ter uma noção da disposição dos elementos que irão compor a cena. Decidida a composição básica, em seguida faço um esboço com grafite azul, já num tamanho proporcional ao que será usado no livro:



2. Na mesma folha, utilizando um lápis 4B, faço o desenho definitivo:



3. Escaneio o desenho e o abro no Painter X. Crio uma camada acima da que tem o esboço e diminuo sua opacidade para 60%, de modo a poder cobrir com cor o desenho e ver o que está embaixo. Seleciono o pincel "Pastel Pencil 3" (opacity 100%, grain 38%, resat 100%, bleed 0, jitter 0,00), em "Pastels", que vai me dar um tom chapado, mas cujos contornos não sejam muito precisos, e, utilizando uma tablet da Wacon, cubro todas as áreas do desenho com seus tons básicos, os tons mais escuros de todos os que vão compor as cores da ilustração.
Como já expliquei no passo-a-passo anterior, utilizo os programas gráficos para emular o meu jeito de pintar com tinta, sempre indo dos tons mais escuros para os mais claros.
Para este livro, alguns personagens são utilizados em todas as páginas e, para evitar diferenças tonais (e facilitar o trabalho), cada qual têm sua própria paleta de cores no menu "color sets".



4. Cada elemento da ilustração tem um grupo de camadas separado das demais. Assim, há um grupo para o pai, um para o menino, um para o carro, um para o fundo e um para detalhes extras, como a água do esguicho. Ao terminar de aplicar os ons básicos de cada área, a ilustração fica assim:



5. Crio uma nova camada para cada elemento e, para aplicar o tom mais claro, escolho um pincel digital que imite um pincel seco, ou seja, com pouca tinta. Assim, ao espalhar a cor, a "tinta" de cima deixa entrever o tom básico que está embaixo. O Real Round Bristtle do Painter X, com as definições anotadas abaixo, se presta bem a este papel. Suas pinceladas, variáveis conforme a pressão da mão na tablet, ficam assim:



6. Aplico o tom mais claro nas camadas correspondentes. Não seleciono as áreas embaixo a fim de cobrir exatamente cada contorno. Gosto da imprecisão do gesto. Assim, vou pincelando sobre as áreas escuras como faria se usasse tinta real. Qualquer pincelada muito fora do lugar pode ser arrumada com a ferramenta borracha.
Clique na imagem para vê-la maior e conferir o efeito do pincel seco mais claro sobre o tom escuro chapado.



7. Eu costumo utilizar pelo menos três camadas para cada elemento da ilustração: Uma para o tom chapado e escuro do fundo, uma com um tom médio utilizando pincel seco e uma para as luzes, também utilizando um pincel seco. Neste livro, utilizei apenas duas camadas para a maioria das ilustrações. Depois da aplicação do tom mais claro, a imagem fica assim:



8. Finalmente, criei mais duas camadas para os detalhes que precisavam de transparências, uma para a água e outra para o parabrisa do carro e a espuma da esponja.

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08/11/2010

Ilustração


Esta é do livro "Coisas pra fazer antes de crescer". O texto que a acompanha é: "Aprender a tocar um instrumento musical. Pode ser: piano, violão, flauta ou até aquela bateria inventada com as panelas da mamãe."
Isso eu fiz antes de crescer.

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Blog bacana: A journey round my skull


O blogueiro assina simplesmente Will e diz ter um fetichismo pouco saudável por livros. O fato é que ele tem um faro incomum para capas de livros antigos feitas por ilustradores desconhecidos/esquecidos. Ilustrações de todas as épocas e do mundo todo que podem dar ao ilustrador e ao designer contemporâneos uma noção do que já foi feito de bom no ramo, além de inspiração para ideias inusitadas.

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02/11/2010

Livro novo: Coisas pra fazer antes de crescer


Este é o sétimo livro escrito pelo James Misse que eu ilustro e o que tem o texto mais bacana.
A editora queria lançar este livro na Bienal do Livro de São Paulo, o que tornou o meu prazo curtíssimo. Não abri mão de manter a qualidade em razão do pouco tempo para fazer as trinta ilustrações, então acabei passando muito mais horas do que seria saudável em frente ao monitor para dar conta do recado. O prazo foi cumprido e eu fiquei muito satisfeirto com o resultado.

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19/10/2010

Passo-a-passo - O Nariz Empinado do João

Eis o passo-a-passo de uma ilustração feita para o livro "O Nariz Empinado do João". Neste livro, experimentei vetorizar todos os desenhos com o Illustrator antes de pintar no Photoshop. Achei que seria uma boa ter os personagens vetorizados, pois, em vez de redesenhar várias vezes, por exemplo, a cabeça do personagem vista em 3/4, eu poderia colar a cabeça básica e ir alterando as expressões conforme a cena. O desenho vetorizado facilita muito este processo, pois pode-se ampliar ou diminuir o desenho sem qualquer perda de resolução.
E funcionou? Bom, realmente esse esquema de cortar e colar rearranjando as expressões e posições dos membros funciona, mas o tempo que eu levei para vetorizar tudo foi muito maior do que eu levaria se eu pintasse cada cena diretamente sobre os rascunhos, que foi o que eu fiz no livro seguinte (mais sobre isso em breve). Ou seja, funcionou, mas não compensou.
Mas vamos ao passo-a-passo:
Em primeiro lugar, desenhei a cena rapidamente utilizando grafite azul:



Em seguida, numa outra folha, utilizando lápis 4B, fiz o desenho definitivo:



Depois, escaneei o desenho e, com a ferramenta "pen" do Illustrator, passei MUITO TEMPO vetorizando cada detalhe:



Exportei o desenho no formato EPS para o Photoshop e então apliquei as cores:



Meu esquema para colorir no Photoshop foi desenvolvido a partir do meu jeito de pintar com tinta, sempre indo dos tons mais escuros para os mais claros.
1. Inicialmente, aplico um tom básico e chapado na superfície. Este tom é o mais escuro de todos os que vão compor aquela área que está sendo pintada. Por exemplo, para pintar a pele do João, utilizei um tom de marrom avermelhado escuro.
2. Depois, crio uma outra camada e aplico o tom médio. No caso da pele, um marrom alaranjado. Ao pintar, utilizando uma tablet da Wacon, escolho um pincel digital que imite um pincel seco, ou seja, com pouca tinta. Assim, ao espalhar a cor, a "tinta" de cima deixa entrever o tom básico que está embaixo.
3. Finalmente, as luzes. utilizando o mesmo pincel, aplico numa outra camada o tom mais claro (no caso da pele, um laranja bem claro), deixando entrever as camadas que estão abaixo dela.
Normalmente, utilizo três camadas para cada área a ser pintada, mas algumas só precisam de duas, outras pedem quatro ou cinco.
Ao pintar com o Photoshop, troco pouquíssimas vezes de pincel. Já tenho alguns que fiz e que são meus preferidos e, durante o processo, vou apenas mudando o tamanho e a inclinação do pincel conforme a necessidade.

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21/09/2010

Livro novo: O Nariz Empinado do João

Fiz no ano passado, mas saiu apenas recentemente.
O Nariz Empinado do João foi escrito pela Katia Buffolo, com ilustrações e projeto gráfico meus. Utilizei o Illustrator para vetorizar todos os desenhos e colori com o Photoshop. Gostei bastante do resultado final e recebi muitos comentários positivos de quem leu o livro. A história é muito bacana e fala de como as crianças podem contornar com criatividade situações em que são colocadas de lado por serem "diferentes" das demais.
É fácil achar o livro em grandes lojas e também online aqui e aqui.

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17/09/2010

Frankenstein had to cry today


Muitas das minhas bandas favoritas de rock são power trios (guitarra + baixo + bateria) e, se é bom ouvir música feita por bandas com esta formação, tocar em um trio é uma das coisas mais bacanas que existe pra se fazer em música.
Toquei baixo em um trio com dois amigos bacanas até o final de 2008. Fazíamos versões instrumentais de músicas que gostávamos de ouvir e improvisos sobre qualquer ideia musical que alguém trouxesse. Às vezes dava muito certo, às vezes não, mas o clima e o entrosamento eram muito legais, seguramente o melhor momento da semana para cada um. Com a mudança do baterista para outro estado (que era pra ser temporária, mas ele não voltou até hoje), paramos de tocar e eu fiquei com muitas gravações de jams e também de uma seção de gravação que ficou esperando uma mixagem decente até agora. Peguei as últimas duas semanas para acertar as quatro músicas desta gravação e, já que eu estava no embalo, resolvi fazer essa coisa antiquada que é a capa de CD para dar cara ao pacote.
Uma das músicas que costumávamos tocar era Frankenstein, do vetusto grupo do tecladista Edgar Winter, uma coleção de riffs e solos muito legais que chegou a ficar em 1º lugar nas paradas (ouvir algo como aquilo no rádio seria impossível pelos padrões de hoje). Outra bacana era Had to cry today, da banda Blind Faith (outra idosinha), que também tem um riff sensacional. Um dia, alguém deu a idéia de juntar as melhores partes das duas (que possuem tonalidades e climas compatíveis) numa música só. O título engraçado me deu a ideia da ilustração que fiz para a capa do CD, que está aí em cima. Fiz também uma ilustração para a contracapa, ambas utilizando apenas duas cores:

Eu cresci muito como músico no período em que toquei com esse pessoal e estou particularmente orgulhoso dos arranjos que fiz para o baixo das músicas. Eu havia colocado um player logo abaixo com as músicas pra quem quisesse ouvir, mas, por alguma razão, algumas pessoas entravam no blog e as 4 músicas começavam a tocar ao mesmo tempo, então tirei. Assim, quem quiser ouvi-las pode baixar o pacote todo, inclusive com a capa do CD, clicando aqui.

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28/07/2010

IlusraBrasil! 7


Entre os dias 9 de agosto e 11 de setembro de 2010, o Senac e a Sociedade dos Ilustradores do Brasil (SIB) promovem em São Paulo a sétima edição do evento IlustraBrasil!, principal espaço para discussão do tema no país.
Além da exposição que reúne 100 trabalhos na galeria do Senac Scipião, o evento oferece palestras gratuitas e oficinas.
A entrada é franca e as inscrições para as palestras e oficinas somente serão aceitas pelo site www.sp.senac.br.
A programação está ótima, abrange várias áreas de atuação dos ilustradores e pode ser consultada no site do IlustraBrasil.

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23/07/2010

Resenha: Ser Criativo - O poder da improvisação na vida e na arte

Li este livro há tempos, meio na correria do dia-a-dia, e ele me impressionou bastante. Recentemente, decidi lê-lo novamente, agora com mais calma e disposto a dar mais tempo para refletir sobre seu conteúdo, e minha admiração pela obra cresceu ainda mais.
Stephen Nachmanovitch é violinista, compositor, poeta, trabalha com computação gráfica, estudou psicologia e literatura em Harvard e utiliza essa bagagem para analisar com rara profundidade o processo criativo no ser humano. Embora muitas vezes seus exemplos sejam retirados da improvisação musical, o livro é bastante útil a quem se dedica ao fazer artístico em qualquer segmento e mesmo a pessoas que não fazem da arte sua atividade, uma vez que a criatividade está presente em todas as áreas da vida.
Ao longo do livro, muitos dos conceitos normalmente aceitos como verdadeiros são questionados pelo autor. No capítulo dedicado à prática, por exemplo, ele desfaz a ideia de que se trata de uma preparação para a arte "de verdade":
No mundo ocidental, praticar significa adquirir técnica. Essa noção está relacionada com a ética do trabalho, que nos ensina a suportar a luta ou o aborrecimento hoje em troca de recompensas futuras. No mundo oriental, ao contrário, praticar é criar a pessoa, ou melhor, revelar ou tornar real a pessoa que já existe. Não se trata da prática para algum fim, mas da prática que é um fim em si mesma. A prática não é só necessária à arte, ela é arte.
Os capítulos que achei mais interessantes são os dedicados aos obstáculos e círculos viciosos que nos impedem de estar constantemente em estado de fluxo criativo. Utilizando conceitos extraídos da Psicologia e da Filosofia Oriental, Nachmanovitch nos ajuda a identificar as causas e aponta saídas para a protelação, o medo e outros fantasmas.
O livro é fácil de se encontrar em livrarias e sebos, mas, ao pesquisar sobre o livro para fazer esta resenha, descobri que ele pode ser lido no Google Livros.

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08/06/2010

A Vingança do Filho da Banda de Um Homem Só Parte 2 - A Missão

Algumas de nossas imagens nos perseguem como sequências de um filme ruim. Quando parece que chegamos a uma versão final, em pouco tempo começamos a pensar que ela não está boa ainda e voltamos à prancheta (ou ao computador) para tentar novas abordagens.
Estas imagens geralmente não têm uma destinação em particular, não nascem de um "job", mas são trabalhos pessoais, feitos pelo prazer de desenhar. Pode também ocorrer que, embora tenham nascido encomendadas, o prazo para entregá-las é longo e o cliente nos tenha dado muita (ou pior ainda: total!) liberdade de criação.
Oura característica dessas imagens que nos perseguem e nunca ficam prontas é a quantidade de tentativas que fazemos para deixá-las "no ponto". Como não sabemos qual é esse "ponto", ficamos fazendo milhares de versões e acumulando angústias durante o processo.
Fiz uma ilustração com esta banda de um homem só há um bom tempo. Fiz porque, depois de um longo período desenhando para pagar as contas, achei que seria uma boa desenhar por puro prazer. Não é isso que todo mundo quer? A ideia da imagem em si já era boa o suficiente pra mim, mas, não muito tempo depois, veio-me a ideia de acrecentar o sujeito com o iPod. O que era apenas uma imagem engraçada virou um cartum. Agora estava bom.



Exceto pelas cores, pensei algum tempo depois. E se eu usasse a imagem com uma paleta bastante limitada de cores, como em uma serigrafia? Podia funcionar.
Quando decidi experimentar limitar a paleta, fiz várias versões, alterando a composição, as cores, acrescentando tipologia (maldito Illustrator que nos permite mudar qualquer coisa!)... Meses se arrastaram e eu ainda não havia chegado a um resultado que estivesse bom pra mim. O que era pra ser um breve momento de criação livre se transformou num monstro de mil faces. As versões foram tantas e os resultados tão variados (eu ia dizer ruins, mas deixa pra lá) que só me atrevo a colocar aqui a última delas:



Fiz uma impressão dela para ver como ela seria vista "com a mão". Talvez valesse a pena fazer dela uma serigrafia em três cores de fato e vendê-la em livrarias e galerias. Talvez eu pudesse criar um cartaz com ela e vender a escolas de música. Ou então... eu estava perdendo o controle novamente. Achei a versão impressa ruim e eu ainda não sabia o que fazer com aquela imagem.
Voltei ao computador e mudei a imagem novamente. Eu já havia tentado usar somente cores quentes na versão nº 237, mas dessa vez, não sei porquê, ficou melhor.



Passados alguns dias, continuei gostando do resultado. Bom sinal.
Mas o problema da utilização continuava a me importunar. Para quê eu iria usar essa imagem bacana? Comecei a viajar em algumas idéias e, quando dei por mim, estava abrindo o arquivo disposto a experimentar cinco ou seis delas. Assustado com o que parecia ser mais uma sequência daquele filme, fechei o programa, desliguei o computador e fui tomar um café. Dias depois, imprimi a imagem num tamanho razoável e mandei enquadrá-la. Hoje ela está pendurada na parede perto da minha mesa de trabalho. Toda vez que eu me vejo tentado a fazer "só mais uma versão" de uma ilustração qualquer, ouço bumbos, cornetas e um acordeão tocando música de circo. Olho para o quadro e percebo que o homem que segura os instrumentos está me dizendo "não seja idiota" por trás do bigodão vermelho. O sujeito do iPod concorda com ele.

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